Como as queimadas podem aumentar os casos de Covid-19

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Dois dos principais problemas que o Brasil está enfrentando nos últimos anos podem estar relacionados a uma combinação terrível: os casos de covid-19 aumentaram substancialmente em áreas atingidas pelas queimadas em 2020, inclusive com quadros mais graves da doença. A situação foi especialmente grave em alguns municípios do Mato Grosso e em Rondônia, que foram diretamente afetados pelo desmatamento pelo fogo na Amazônia e no Pantanal. 

Essa descoberta é fruto de um minucioso trabalho realizado durante cinco meses por uma equipe de geógrafos, jornalistas e estatísticos do InfoAmazonia, junto à Universidade Federal do Acre (UFAC) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

Os cientistas tiveram desafios para chegar a essa conclusão, já que o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) deixou de divulgar dados sobre as queimadas por municípios em 2020 — justamente a pior temporada dos últimos anos nesse sentido. 

Então, o time utilizou imagens de satélites disponibilizadas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas e criou um modelo matemático para calcular o índice de poluição no ar de cada município das regiões afetadas. O estudo se concentrou em cinco estados dos biomas mais atingidos: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

Os dados são alarmantes e demonstram uma correlação entre as queimadas e a fumaça causada por elas com as internações por covid-19. 

Incêndios florestais na Amazônia e Pantanal causaram danos à população da região (Fonte: Vladyslav Dukhin/Pexels)
Incêndios florestais na Amazônia e Pantanal causaram danos à população da região (Fonte: Vladyslav Dukhin/Pexels)

Dificuldade para respirar e internações

Por mais que a coleta de dados quantitativos sobre esse fenômeno tenha sido complicada, a relação entre as queimadas e a covid-19 é mais simples de entender. Afinal, o vírus causa uma doença respiratória, que pode comprometer o pulmão. As queimadas também prejudicam esse mesmo órgão, com sua fumaça e, principalmente, com o material particulado fino. 

Esse material particulado fino é um poluente microscópico, que invade o corpo pela respiração e com partes menores que podem até entrar na corrente sanguínea, causando uma série de outras consequências para a saúde. No pulmão, os prejuízos se estendem pelo longo prazo, mas a reação imediata é que o órgão fica mais frágil — um cenário ideal para o vírus da covid-19 debilitar ainda mais a pessoa infectada. 

O poluente microscópio é um subproduto dos incêndios florestais, assim como a fumaça que vemos a olho nu. Sua presença no ar que as pessoas respiram — ou tentam respirar — torna-se maior todos os anos na época das queimadas, entre julho e outubro, com picos ainda maiores entre agosto e setembro. Coincidentemente, esses foram os meses com os maiores números de internações por covid-19 nas regiões analisadas. 

Fumaça se espalha por vários lugares, assim como o material particulado que a população respira (Fonte: Pixabay)
Fumaça se espalha por vários lugares, assim como o material particulado que a população respira (Fonte: Pixabay)

Poluição todos os dias e chance de internações

Nos cinco estados analisados — Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia — o número de casos graves de covid-19 (com internações) aumentou 18% durante os incêndios florestais, enquanto as internações por síndromes respiratórias (isto é, sem diagnóstico exato de covid-19) cresceram 24%. A situação é mais grave porque o Pantanal e a Amazônia são regiões bastante amplas e esparsamente povoadas, com poucos serviços de saúde. 

Por isso, a equipe do InfoAmazônia não analisou onde as pessoas foram internadas, mas sim seus municípios de origem — assim, é possível concluir onde a poluição foi mais letal para a população. 

Outro detalhe importante é que nem sempre o fogo prejudica quem está mais perto dos incêndios florestais. Isso porque as massas de ar na região acabam levando o material particulado fino para outros lugares e a chuva ou o relevo de cada município também influenciam na concentração dos poluentes. 

Segundo os dados coletados pelos pesquisadores, os moradores de Poconé e Cáceres (ambos em MT) foram os mais prejudicados pelas queimadas de 2020: no mês de setembro, o pior da temporada, foram 30 dias com poluição acima do aceitável para a saúde. 

Com isso, a população teve 82% mais chance de parar num hospital por complicações da covid-19 e 115% mais chance de sofrer com outras síndromes respiratórias. Em Rondônia, foram 26 dias de altos índices de poluição no mês e 66% mais risco de precisar de internação pela covid-19. 

Para terminar, é importante ponderar que focos de incêndio sempre foram detectados nessas regiões durante essa época do ano, já que atear fogo em pastos e plantações é uma prática antiga. Contudo, a situação tem fugido de controle nos últimos anos e 2020 foi a pior estação de queimadas da história da região: só no Pantanal, 26% do bioma foi atingido pelas chamas. 

Fonte: Folha de São Paulo.

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