Você pode até não perceber, mas as decisões tomadas nos encontros do G20 afetam a sua vida diariamente. O Grupo dos 20 (G20) foi criado em 1999, logo após uma grave crise econômica na Ásia. Ainda na década de 1990, o México (em 1994) e a Rússia (em 1998) também enfrentaram grandes crises, aumentando a necessidade de discussão sobre os rumos da economia mundial.

O G20 é uma ampliação do G7, que é formado pelas maiores potências econômicas do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Japão, Itália, França e Reino Unido. A Rússia também fazia parte desse grupo seleto, chamado na época de G8, mas foi expulsa por conta dos conflitos na Ucrânia, em 2014.

No Grupo dos 20 foram incluídos países emergentes: China, Canadá, Coreia do Sul, Brasil, Austrália, México, Indonésia, Turquia, Arábia Saudita, Argentina, África do Sul e Rússia, que permaneceu no time mesmo após sua expulsão do G7. Além destes, participam das reuniões do G20 representantes do bloco econômico da União Europeia. O crescimento dessas economias, que se tornam cada vez mais globalizadas, justifica a necessidade de os líderes políticos desses países trabalharem em conjunto.

Primeira reunião da cúpula do G20, em 2008 (Fonte: Wikimedia)

Temas discutidos no G20

A princípio, o G20 foi formado para que ministros de finanças e presidentes de bancos centrais dos países participantes se reunissem para discutir ações que pudessem diminuir as instabilidades econômicas internacionais. Desde a crise financeira global de 2008, o grupo passou a convidar chefes de Estado e discutir outros temas além da economia: combate à corrupção, desenvolvimento sustentável, energias renováveis, mudanças climáticas, saúde, educação, economia digital, entre outros.

O G20 concentra 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 80% do comércio internacional e dois terços da população global. Por isso, as decisões tomadas nas reuniões anuais acabam tendo impacto na vida de todos, principalmente quando questões além da economia passaram a ser discutidas nos encontros. Ainda assim, o G20 não é exatamente uma organização internacional, tal como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial. Por conta disso, as decisões provenientes dos encontros anuais não têm o poder de uma lei nacional, mas são capazes de orientar os países para interesses em comum.

Como não há um secretariado nem recursos próprios, a liderança do G20 é rotativa. Em dezembro de 2019, ela passará à Arábia Saudita, depois de ter sido presidida pelo primeiro-ministro japonês desde o fim de 2018. O Brasil ainda não liderou a cúpula, por isso sediou uma reunião do bloco. Como o país está na mesma tríade que a Argentina e o México, que organizaram o encontro de 2018 e de 2012, respectivamente, na próxima vez que os líderes se reunirem na América Latina nós seremos os anfitriões.

Reunião da cúpula do G20 em Osaka, no Japão, em junho de 2019. (Fonte: Wikimedia)

Decisões históricas e a importância para o Brasil

Algumas decisões tomadas pelo G20 mudaram o cenário político internacional: em 2011, por exemplo, a Grécia passou por uma grave crise econômica, mas ações da Alemanha e da França ajudaram o país a permanecer na União Europeia, mediante algumas condições. Em 2015, foram os movimentos migratórios de refugiados que tiveram o principal destaque nas discussões da cúpula.

Manter a economia mundial funcionando corretamente é extremamente importante para o Brasil. A China é o maior parceiro comercial do nosso país, por isso possíveis crises que aconteçam por lá certamente terão efeitos por aqui. A importância também pode ser indireta: se os EUA entrarem em guerra com o Irã, por exemplo, o preço do petróleo irá disparar em vários lugares do mundo, inclusive por aqui.

Outro fator importante é a possibilidade de acordos comerciais começarem a ser trilhados nos encontros do G20. Por isso, o Brasil sempre tende a discutir estratégias com seus parceiros comerciais e formar novas alianças que tragam benefícios à nossa economia, principalmente na questão das exportações.