Professores e funcionários de escolas estão acostumados a encontrar crianças que têm problemas para se concentrar, estão sempre correndo e não conseguem acompanhar as matérias. Em alguns casos, basta estruturar estímulos e disciplina. Em outros, no entanto, essas dificuldades podem ser sintomas de distúrbios do neurodesenvolvimento.

Distúrbios do neurodesenvolvimento são condições neurológicas que interferem na aquisição, retenção e/ou aplicação de habilidades como atenção, memória, linguagem ou interação social. O desenvolvimento da criança acaba sendo afetado por uma série de consequências do distúrbio, e ela pode ter dificuldades na escola ou em grupos sociais.

Quem convive ou trabalha com crianças precisa conhecer esses distúrbios para não difundir pensamentos equivocados. Afinal, muitas com esse quadro são taxadas como preguiçosas ou incapazes, rótulos que machucam e causam consequências por toda a vida.

Abaixo, conheça alguns dos distúrbios do neurodesenvolvimento mais comuns.

Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

(Fonte: Pexels)

O TDAH consiste em falta de concentração e/ou excesso de impulsividade, que não condizem com o comportamento regular de uma criança e interferem na aprendizagem e no desenvolvimento. Esse distúrbio se desenvolve logo depois do nascimento, mas costuma ser percebido quando a criança começa a frequentar a escola.

Algumas crianças têm dificuldades de acompanhar atividades que exigem concentração prolongada ou não conseguem completar tarefas. O diagnóstico é feito a partir da observação médica e de questionários preenchidos por pais e professores.

Já o tratamento costuma ser feito de forma abrangente, com um planejamento de rotina dentro e fora da escola, além de auxílio técnico dos professores. Em alguns casos, é necessário utilizar medicamentos psicoestimulantes.

Transtornos do Espectro Autista (TEAs)

(Fonte: Pexels)

Os TEAs são uma série de características que fazem com que a criança tenha problemas para desenvolver relacionamentos sociais, utilizar a linguagem e adquirir comportamentos compulsivos. Algumas pessoas do espectro autista também se sentem sobrecarregadas por estímulos auditivos e visuais, tornando a convivência em sala de aula muito difícil.

O diagnóstico é feito por meio da observação de profissionais da saúde, bem como pais e outros cuidadores. O tratamento depende de como o autismo se manifesta na criança em questão. Como se trata de um espectro com intensidades diferentes, quem tem TEA pode acabar descobrindo o diagnóstico só na fase adulta.

Distúrbios de aprendizagem

Os distúrbios de aprendizagem são dificuldades para adquirir ou reter informações, que influenciam na atenção, na memória e no raciocínio, afetando o desempenho acadêmico. Eles são normalmente percebidos por professores, que devem criar planos específicos de aprendizagem para cada caso. Alguns distúrbios de aprendizagem são:

  • Dislexia: afeta a capacidade de ler e escrever. A criança costuma ter problemas de percepção de tempo e espaço, além de apresentar erros de ortografia e dificuldades de montar frases;
  • Déficit de processamento auditivo: a criança apresenta audição normal, mas não ouve bem. Isso ocorre porque o cérebro tem dificuldade para processar informações auditivas.
  • Discalculias: distúrbios que afetam a capacidade de aprender sobre números, contagens e cálculos. A criança pode ter dificuldade de contar números em sequência, compreender valores financeiros etc.

Deficiência intelectual

(Fonte: Zenklub)

A deficiência intelectual é quando o desempenho intelectual do indivíduo fica abaixo da média desde o nascimento, causado limitações para realizar atividades normais do dia a dia. Por exemplo, brincar, conversar ou aprender.

Normalmente, os pais só percebem essas limitações quando a criança vai para a pré-escola e começa a conviver com crianças da mesma idade. O diagnóstico é feito com uma testagem profissional, e o tratamento depende das necessidades de cada criança.

Síndrome de Rett

Entre os distúrbios do neurodesenvolvimento vistos até aqui, esse é o mais raro: afeta o desenvolvimento depois do período de 6 meses e ocorre quase que exclusivamente em meninas. Os sintomas envolvem declínio das habilidades sociais e da fala.

A síndrome pode ser diagnosticada a partir de observação médica e exames genéticos, já que é causada por uma mutação genética. O tratamento é feito com uma abordagem multidisciplinar, contando também com apoio educacional.

Estudar e se aprofundar nesse assunto faz muita diferença para quem trabalha com crianças, especialmente educadores. Assim, os pequenos podem ter a assistência de que precisam para se desenvolverem da melhor maneira possível.

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