Muito além de mais um recurso linguístico, as figuras de linguagem enriquecem a experiência de qualquer amante da literatura, tornando a intenção do autor muito mais viva e cheia de sensações. Graças a elas, sentimentos, entonações ou mesmo os estilos de escrita podem ser facilmente expressos. Estruturadas em três formatos — som, pensamento e palavras —, essas figuras são velhas conhecidas dos vestibulares de todo o país.

Conheça as suas definições e confira alguns exemplos que vão ajudá-lo na hora da prova.

1. Figuras de som

As figuras de som, ou sonoras, são responsáveis por personificar os ruídos que acompanham determinada narrativa, podendo ser: aliteração, assonância, paronomásia e a famosa onomatopeia.

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Exemplos de aplicação

  • Aliteração: repetição de sons consonantais.
“Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando...Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito.” (Guimarães Rosa)
  • Assonância: repetição de sons vocálicos de forma ordenada.
“O que o vago e incógnito desejo/de ser eu mesmo de meu ser me deu.” (Fernando Pessoa)
  • Paronomásia: proximidade de palavras com sons semelhantes.
“Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias.” (Padre António Vieira)
  • Onomatopeia: criação de palavras para personificar sons.

“Buá, buá, buá -o bebê não para de chorar”

2. Figuras de pensamento

As figuras de pensamento são aquelas que costumam expressar os sentimentos em si, sejam eles fortes, fracos ou indiferentes, podendo ser divididos em: antítese, ironia, eufemismo, hipérbole, prosopopeia ou personificação, clímax e apóstrofe.

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Exemplos de aplicação

  • Antítese: aproximação de termos contrários.
“Eu vi a cara da morte, e ela estava viva.” (Cazuza)
  • Ironia: apresenta um significado com certo tom de humor; contraditório.
“Que pessoa educada! Entrou sem cumprimentar ninguém.”
  • Eufemismo: permite atenuar palavras ou situações geralmente tensas, tristes ou perigosas.
“Ele partiu desta para uma melhor?”
  • Hipérbole: expressa o exagero de ideias.
“Estava morrendo de fome.”
  • Prosopopeia ou personificação: trata-se de caracterizar seres inanimados com predicativos de seres humanos.
“Hoje até o sol está mais feliz.”
  • Clímax: apresentação de ideias de forma crescente.
“Ninguém deve aproximar-se da jaula, o felino poderá enfurecer-se, quebrar as grades, despedaçar meio mundo.” (Murilo Mendes)
  • Apóstrofe: usada para falar de forma enfática sobre ou com alguém.
“Ó Leonor, não caias!”

3. Figuras de palavras

Com, literalmente, o melhor jogo de palavras que os autores podem utilizar, essa figura de linguagem é um recurso capaz de empregar palavras em determinados contextos com significados diferentes dos seus originais. São elas: metáfora, metonímia, catacrese, antonomásia ou perífrase e sinestesia.

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Exemplos de aplicação

  • Metáfora: utiliza a palavra com a intenção de demonstrar um significado diferente do habitual.
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando Pessoa)
  • Metonímia: utiliza uma relação lógica para transpor parte do significado de uma palavra (coisa) para outra.
“Vamos ler Machado de Assis.” (ler o livro do autor)
  • Catacrese: consiste no uso do sentido figurado nas frases.
“O pé da mesa estava quebrado.”
  • Antonomásia ou perífrase: consiste na utilização de uma expressão em vez de um substantivo comum.
“O Rei do Futebol (em vez de Pelé).”
  • Sinestesia: expressa a mistura de sensações de diferentes órgãos dos sentidos.
“Como era áspero o aroma daquela fruta exótica.” (Giuliano Fratin)

Última (e mais importante) dica!

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Quer estudar um pouco mais sobre o tema? Duas fontes ricas em figuras de linguagem são os poemas e as músicas! Experimente conferir alguns dos autores mais famosos do país depois de estudar com este artigo; afinal, é exatamente na composição desse tipo de texto que eles costumam aparecer no vestibular. Bons estudos!

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