Um dos momentos mais empolgantes, tanto para estudantes de Arquitetura quanto para arquitetos formados, é a hora de colocar as ideias no papel. Essa base inicial do projeto de todo bom arquiteto geralmente é feita com a criação de uma prancha.

O que é uma prancha

(Fonte: Giphy)

Uma prancha de arquitetura é uma tela ou folha de papel que o arquiteto usa para expressar propostas e ideias do projeto que deseja desenvolver. Antigamente, era desenhada à mão; hoje, é majoritariamente criada em softwares especializados. Segundo o arquiteto Bepi Cyrino, a prancha tem três objetivos principais:

  1. ajudar o arquiteto a visualizar melhor as ideias;
  2. apresentar o projeto de forma simples para quem não é da área, como potenciais clientes;
  3. auxiliar a equipe de construção a planejar e não cometer erros durante a obra.

Não há regras absolutas sobre seu formato, que é adaptável para diferentes propostas de acordo com a necessidade. O importante na hora de fazer o projeto é o equilíbrio entre informação e clareza. Afinal, como convencer alguém com belos desenhos sem conteúdo ou com longos e chatos blocos de texto?

As pranchas são basicamente uma tela em branco para a criatividade. E, para ajudar a sua imaginação, daremos aqui algumas noções para garantir o sucesso em futuros projetos.

Comece pelo básico

(Fonte: Giphy)‌‌

Antes gastar horas desenhando, faça um roteiro e defina o que quer colocar no papel. Cheque se seu público-alvo (cliente, ajudante de obras, professor ou banca examinadora, por exemplo) tem alguma diretriz ou exigência, como detalhes de dimensões do papel (A1, A2, A3), inclusão de mapas e medidas, especificação e uso de certo objeto ou material e afins.

A partir daí, comece a pensar no storytelling (narrativa). Pranchas não são diários, então não tenha medo de fazer algo que todos possam entender e apreciar.

Estabeleça prioridades

(Fonte: Giphy)‌‌

Seja seletivo, crie uma hierarquia do que é mais importante no seu projeto e distribua os elementos de acordo com isso. Faça rascunhos com ideias gerais de onde quer colocar cada informação e valorize o que quer destacar. Quanto maior for o elemento (letra, imagem ou desenho), mais importante ele será hierarquicamente.

Pergunte-se coisas como "isso é importante para o projeto?", "que diferenciais posso apresentar?", "essa informação fica melhor como desenho ou texto?", "coloquei textos ou imagens demais?". Priorize sempre a qualidade, e não a quantidade de informações, pois poucos detalhes fazem falta, mas o excesso de informação mais atrapalha que ajuda.

Trabalhe com grades de diagramação

Diagramar uma prancha significa distribuir de forma harmônica os elementos no espaço disponível. Já as grades são agrupamentos de colunas que auxiliam na distribuição das informações. Pense na diagramação como o meio pelo qual seu storytelling toma forma e na grade como os locais ocupados por cada elemento da sua narrativa.

Exemplos de disposição de colunas e módulos em diagramação com grades. (Reprodução: marinaaraujo.arq/Francis Ching)‌‌

Divida imagens, desenhos e textos de forma organizada e respeite as margens para nenhuma imagem "vazar" da tela. Utilize calhas, ou seja, espaços que dividem as colunas, para evitar que elementos se misturem. Agrupe várias colunas para formar módulos e assim dispor as informações. As grades permitem uma customização modular de acordo com a necessidade.

Exemplo prático de pranchas feitas com grades de diagramação. (Fonte: IABSP/Raquel Khoury)‌‌

A diagramação é uma das muitas competências de um bom arquiteto e compreende diferentes regras e conceitos, dos básicos aos mais avançados. Utilizar as grades é uma boa forma de diagramar com competência e qualidade enquanto se domina técnicas avançadas. Um bom arquiteto utiliza grades não como uma limitação, mas como mais uma ferramenta para a criatividade.

Quando fizer grandes projetos, tenha atenção redobrada aos pequenos detalhes. Escolha, no máximo, de dois a três tipos de fonte para evitar que vire bagunça, sempre alinhando-os. Priorize tipos que tenham variáveis em negrito e itálico, para ter mais flexibilidade de edição. Evite usar letras que não combinem com o projeto ou que possam fazer com que ele não seja levado a sério.

Quando for escolher a paleta de cores, priorize tons uniformes. Busque harmonia entre as cores com base na imagem principal que for utilizar. Lembre que, independentemente do estilo e modelo, o projeto ainda deve ser acessível para outras pessoas. E o uso de poucas cores facilita dar destaque ao que é importante sem sobrecarregar o projeto.

Dica extra: coloque sempre um cabeçalho nas margens da prancha. Dados como seu nome, informações de contato, nome do projeto, logo da empresa ou universidade etc. Para muitos, um bom projeto é como um cartão de visitas, então sempre se apresente bem.

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