Em alta no mercado brasileiro desde 2013, quando a engenharia de produção foi considerada uma das carreiras mais desejadas e com forte demanda, com piso salarial de R$ 6 mil estipulado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) para profissionais recém-formados, podendo chegar a R$ 35 mil ou mais para profissionais de nível sênior, com mais de 15 anos de experiência, o engenheiro de produção também encontra demanda no exterior.

A engenharia de produção é produto de um mix de atividades de gerenciamento que englobam atividades como a gestão e o planejamento de recursos pessoas, finanças e matéria prima, assim como a análise da produtividade dos times, de processos pré-existentes, uso de determinados sistemas, equipamentos e ferramentas, além de abordar questões de segurança do trabalho. Os estudantes dessa área aprendem sobre elétrica e mecânica e são estimulados a desenvolver habilidades úteis para liderar mudanças e buscar a solução de problemas.

Engenharia de produção no Brasil

(Fonte: Tenor)

Com metas desafiadoras para alcançar os objetivos de produtividade e gestão de pessoas, uma competência que cabe ao engenheiro de produção está na facilidade de transformar os processos produtivos complexos em uma linguagem de fácil entendimento e execução.  As atividades passadas para as equipes devem ser de forma simples e objetiva tornando um diferencial na profissão, e algumas vezes, se destacando no lidar com as pessoas, principalmente nas questões culturais, entre os cursos de graduação no Brasil e no resto do mundo.

Em uma visão geral, de nível nacional, o curso normalmente é dividido em três pilares essenciais ao profissional do setor: manutenção, otimização e instalação.

As atribuições dos profissionais de engenharia de produção são:

  • ser um ponto de apoio e fazer a conexão entre departamentos para solucionar problemas;
  • analisar matéria-prima da linha de produção para encontrar equilíbrio entre qualidade e custo;
  • detectar problemas e obstáculos que atrasam ou complicam processos de produção existentes;
  • garantir que as demandas sejam respondidas com qualidade dentro dos prazos determinados;
  • garantir que processos de produção usem ferramentas adequadas para que sejam mais rápidos e baratos;
  • monitorar o consumo de energia e o nível de poluição de uma linha de produção.
  • e atualmente, utilizar os conceitos de internet das coisas e Indústria 4.0 para otimizar e acelerar os processos produtivos com maior lucratividade.

Mesmo parecendo um mercado relativamente novo, o setor de engenharia de produção enquanto oportunidade de trabalho existe desde a Segunda Revolução Industrial, no século XIX. No Brasil, a primeira graduação na área foi criada em 1957, com a chegada das grandes multinacionais com as suas demandas pré-estabelecidas em experiências no exterior. Atualmente, o país é uma referência mundial em qualidade industrial e inovação tecnológica, principalmente em exploração de petróleo.

A profissão é certamente a que oferece mais oportunidades para os profissionais da área em um momento com alto desemprego, o que certamente torna muito alta a procura por cursos de graduação — cerca de 40 mil engenheiros (de todas as especialidades) são formados anualmente no Brasil. Contudo, a boa notícia é que, apesar da concorrência entre recém-formados, a carreira seguirá em alta nos próximos anos, já que ainda falta mão de obra qualificada e a demanda não para de crescer. A flexibilidade que o profissional tem é um diferencial para ingressar rapidamente no mercado de trabalho.

Segundo relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as empresas contratarão de 600 mil a 1,15 milhão de novos engenheiros no Brasil até o ano de 2020. E o engenheiro de produção é um dos mais requisitados para atender à necessidade nacional.

O mercado no exterior

A BBC desenvolveu um ótimo infográfico que revela a demanda, por país, de determinados profissionais — entre eles o engenheiro de produção. Em todo o mundo, é fato, a imigração é um assunto controverso, mas profissionais altamente qualificados têm espaço entre os 200 milhões de imigrantes internacionais, pois há deficit de especialistas em diversos países.

Engenheiros industriais e de produção, que são os mesmos profissionais, aparecem como necessários em países da Europa, da Oceania, da Ásia e também da África, como Austrália, Bélgica, Irlanda, Nova Zelândia, Noruega, Cingapura, África do Sul, Espanha e Reino Unido. É comum, portanto, realizar formação continuada em outros países e idiomas com o objetivo de garantir vagas no mercado estrangeiro, que tanto necessita de profissionais do setor.

Do chão de fábrica à consultoria

(Fonte: Tenor)

A aptidão individual é apontada como fundamental para o sucesso de um profissional do setor. Não à toa, diversos engenheiros são oriundos de cursos técnicos do Ensino Médio. Aqui ou no exterior, as formações costumam ter uma grade de matérias obrigatórias gerais aos cursos de engenharia e, só nos últimos semestres, a graduação fica mais específica e permite a especialização em produção.

Nos países falantes de língua inglesa, o curso é chamado de Production, Industrial e Manufacturing Engineering. O Bacharelado de Ciências em Engenharia da Produção da Arizona State University, oferecido pela Escola de Engenharia Ira A. Fulton, nos Estados Unidos, tem uma grade curricular com muito foco na prática e em trabalhos em grupo (orientado para a gestão de projetos). As disciplinas mais técnicas e eletivas também existem, mas como um aprofundamento profissional.

Na Austrália, na Universidade de Nova Gales do Sul, o que ocorre é uma combinação de mecânica e produção. O curso garante um diploma em Engenharia Mecânica com especialização em Produção. São ao todo quatro anos de estudos somados a um treinamento prático de 60 dias na indústria para esses estudantes.

Em território americano, a Universidade Estadual de Pittsburg, no Kansas, listou as qualidades e as características esperadas de um aluno de Engenharia de Produção, nada muito diferente da demanda acadêmica no resto do mundo:

  • ter interesse em saber como as coisas funcionam;
  • ser comunicativo e lidar com problemas e pessoas;
  • ter uma ótima ética de trabalho em equipe;
  • ter aptidão para mecânica e elétrica;
  • competências em cálculo, ciência, inglês e temas de tecnologia.

Todos os bacharelados incluem módulos de estágio obrigatório para oferecer experiências reais do mercado de trabalho e para que os estudantes saiam prontos.