Quando nos propomos a escrever um texto utilizando a norma culta, normalmente pensamos nas ideias centrais e as organizamos em uma sequência lógica; depois, buscamos formas de conectá-las para que façam sentido e fiquem coesas. Uma das melhores formas de fazer isso é recorrer às preposições.

Confira, a seguir, o que é preposição, quais são suas funções e as melhores formas de utilizá-la.

O que é preposição?

As preposições são uma classe gramatical de palavras invariáveis que servem para ligar elementos de uma oração. Sintaticamente, elas não têm uma função específica, mas são responsáveis por conectar termos ou orações e estabelecer relações de sentido e de dependência em um texto, por isso também são conhecidas como conectivos.

A preposição é, então, uma das responsáveis pela coesão textual, uma vez que o seu emprego adequado é capaz de organizar as ideias e estabelecer conexões na escrita. As relações construídas por meio de preposições são do tipo subordinativo, então os elementos ligados por elas não têm sentido de forma separada ou individualmente; pelo contrário, o sentido da oração depende da conexão assegurada pela preposição. Veja alguns exemplos:

  • Ela dançou com alegria a noite toda.

Ela dançou/alegria: elementos ligados por preposição

Com: preposição

  • Amanhã vamos de bicicleta.

Amanhã vamos/bicicleta: elementos ligados por preposição

De: preposição

  • Eu sou de Curitiba.

Eu sou/Curitiba: elementos ligados por preposição

De: preposição

Como mencionamos, as preposições são palavras invariáveis. Isso significa que elas não sofrem flexão de gênero ou número nem variação em grau, pessoa, número, tempo, modo, aspecto ou voz.

Preposições essenciais e acidentais

(Fonte: Giphy)

Existem duas formas de agrupar as palavras dessa classe gramatical: preposições essenciais e preposições acidentais.

As essenciais se referem aos termos que sempre funcionam como preposições, como: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, perante, sem, sob, sobre.

Já as acidentais tratam de palavras que são de outras classes gramaticais, mas que em determinados contextos funcionam como preposições, como: exceto, consoante, mediante, fora, afora, segundo, tirante, senão, visto.

Locução prepositiva

(Fonte: Giphy)

As preposições não se limitam a apenas um termo; por vezes, mais de uma palavra pode funcionar como preposição, em um fenômeno chamado locução prepositiva. Uma dica é que, nesses casos, a preposição sempre fica no fim, como: ao lado de, de acordo com, com respeito a, em torno de.

Combinação e contração de preposições

Para que o uso das preposições fique mais confortável fonética e fonologicamente, em alguns casos elas podem se unir a outras palavras, formando combinações e contrações. No primeiro caso, a preposição não sofre nenhuma perda quando se une a outro termo: a + o = ao; a + os = aos.

No segundo caso, a preposição sofre alterações fonológicas ao se juntar a outra palavra: a + a = à; a + aquele = àquele; de + o = do; de + este = deste; de + isto = disto; de + esse = desse; de + aquele = daquele; a + aquilo = àquilo.

É preciso prestar atenção, pois na norma culta — aquela utilizada em textos formais, como vestibulares e produções acadêmicas — a contração da preposição de com o artigo que encabeça o sujeito do verbo é considerada inadequada. Então, nunca utilize esse recurso em textos formais. Confira alguns exemplos:

  • Está na hora de a criança dormir.

A preposição de e o artigo a não devem ser contraídos, pois ele encabeça o sujeito criança de um verbo.

A mesma regra vale para as situações com pronomes pessoais, pois se o pronome é sujeito de um verbo a preposição deve ficar separada:

  • Está na hora de ele dormir.

de + ele devem ficar separados.

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Como utilizar as preposições

Para utilizar as preposições de forma adequada é necessário compreender qual é o sentido da relação que ela cria entre os termos. Assim, você saberá encaixá-las em diversas orações. Confira alguns efeitos de sentido que as preposições podem estabelecer:

  • Relação de meio: Hoje vamos de ônibus, mas amanhã vamos de bicicleta.
  • Relação de companhia: Vi a Anna com a Sofia.
  • Relação de causa: Morreu de infarto.
  • Relação de posse: A gata do Thiago quebrou a patinha.

Outro ponto importante para se levar em consideração na hora de utilizar preposições é o fato de que elas podem funcionar de diversas formas: como complementos verbais (eu obedeço aos meus pais), complementos nominais (Sou fiel aos meus princípios), locuções adjetivas (é um homem de palavra), locuções adverbiais (tive que pensar com paciência) e orações reduzidas (ao chegar, desabafou sobre o ocorrido). Utilizá-las de forma adequada pode ajudar a evitar repetições desnecessárias e elevar o nível coesivo do texto.

(Fonte: Giphy)