Se você já terminou sua graduação (ensino superior) e pensa em fazer uma pós-graduação, precisará decidir entre um curso lato sensu (especialização) e um curso stricto sensu (mestrado). Se você já se especializou em uma área e se sente pronto para enfrentar os desafios de um mestrado, precisará fazer uma segunda escolha: mestrado acadêmico ou mestrado profissional? Esse ainda é um assunto complexo, mas, se você sonha em se tornar mestre, informe-se e siga adiante.

O mestrado é um curso de pós-graduação stricto sensu extremamente aprofundado, que pode durar até 24 meses, ao fim do qual o aluno recebe o diploma de mestre. É ideal para estudantes que buscam esgotar um tema de interesse do mercado, mas também é útil para quem pretende seguir carreira acadêmica como professor ou pesquisador. É o mestrado que o prepara para o próximo nível, o doutorado.

É verdade que é possível fazer o doutorado direto, quando o desempenho na graduação é muito bom e o aluno já trabalha em um projeto de iniciação científica. Mas o mais comum é galgar as etapas passo a passo na universidade.

O Ministério da Educação (MEC) garante que as exigências e o título de mestrado acadêmico sejam os mesmos do mestrado profissional e os trata como “níveis” ou “modalidades” na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão que regula e avalia os cursos de pós-graduação no Brasil.

E qual é a diferença?

A diferença principal entre o mestrado profissional e o mestrado acadêmico está no que se deseja fazer com ele. O profissional é voltado para a capacitação para o mercado, com o estudo de técnicas, processos ou temáticas que atendam a alguma demanda específica de trabalho e será usado dentro de empresas. Com isso, busca formar mestres em uma prática bastante avançada e reconhecida.

Já o mestrado acadêmico prepara o estudante para ser pesquisador ou professor, enfatizando a pesquisa acadêmica, o desenvolvimento de conhecimentos que contribuam para aumentar ou aprofundar temas relevantes para a sociedade, de publicações e da chamada carreira acadêmica. O mestrando terá a oportunidade de trazer novos olhares ou outros pontos de vista e até mesmo contestar teorias para deixar sua marca no universo acadêmico.

Trocando em miúdos, o mestrado acadêmico é voltado para a universidade, com pesquisas e novos conhecimentos para a ciência. O mestrado profissional é técnico e mais próximo do mercado de trabalho. Enquanto na academia o mestrando desenvolve habilidades e didáticas que facilitam a transmissão de conhecimento para formar novos profissionais, no meio profissional o objetivo é "traduzir” os estudos científicos para a indústria de forma prática e aplicável.

E quando escolher um ou outro?

Não há uma fórmula pronta para encontrar a resposta, pois isso estará conectado a seus interesses e objetivos pessoais e profissionais. Há de se levar em consideração também a disponibilidade de cursos na área e seu empenho financeiro.

Quem já fez uma especialização, como pós-graduação ou MBA, e deseja seguir carreira sem se tornar pesquisador ou professor pode se sentir melhor cursando um mestrado profissional e aprofundando seus conhecimentos para continuar aplicando-os. Mas se seu sonho está em ministrar aulas em faculdades e inspirar alunos de ensino superior, o mestrado acadêmico pode ser a melhor opção. Porém nada o impede de escolher o mestrado acadêmico e continuar a atuar no mercado de trabalho.

Uma característica que pode ser encontrada nos mestrados acadêmicos são aulas no meio da tarde e um calendário que exige total dedicação do estudante, tornando difícil conciliar o trabalho e os estudos com flexibilidade, ambos em horários comerciais. Os cursos voltados para o mercado tendem a ocorrer em períodos mais acessíveis.

Os mestrados profissionais também permitem atuação como mestre em universidades, possibilidade que anteriormente era apenas para quem fazia o mestrado acadêmico. Os novos cursos já mixam didática e pesquisa com temas mais técnicos.

E o que tem de parecido?

Em ambos os casos, o aluno de mestrado tem uma grade curricular com aulas obrigatórias e optativas, participa de um grupo de pesquisa e está sob a orientação de um professor. É comum, durante os 2 anos de curso, a participação em conferências, congressos acadêmicos e palestras, além da dedicação à redação de artigos acadêmicos que divulgam resultados de pesquisas individuais ou em parceria com outros alunos.

Costuma ser no último trimestre a defesa da tese para uma banca qualificada e, após esse ciclo, a faculdade concede o título de mestre.

Cursos gratuitos de mestrado são oferecidos por universidades públicas (estaduais e federais), mas é preciso se submeter a testes nos quais as instituições selecionam os melhores projetos. Alunos aprovados nos processos seletivos recebem bolsas de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e da Capes.