Você provavelmente já leu uma bula de remédio ou uma receita de bolo, mas sabia que esses dois textos têm muito mais em comum do que aparentam em um primeiro momento? Na verdade, ambos são injuntivos, também conhecidos como instrucionais.

Esse tipo de texto busca instruir o leitor em alguma atividade ou situação, sendo responsável pela compreensão do funcionamento de certos sistemas. Com características próprias, é direcionado para certos objetivos.

Quer saber tudo sobre esse gênero textual? Acompanhe.

Definição

(Fonte: Giphy)

Os textos injuntivos têm a proposta de instruir, informar, auxiliar, aconselhar e recomendar. Para isso, eles oferecem desde o passo a passo das ações que devem ser realizadas até o aconselhamento de como proceder.

Para atender a essa proposta, esse tipo textual utiliza a ordem, o conselho e a exigência, por isso o tempo verbal mais presente nos textos injuntivos é o imperativo, pois transmite essa proposta dentro da ação que é pedida.

Injuntivo vs. Prescritivo

(Fonte: Giphy)

Uma relação comum é feita entre o texto injuntivo e o texto prescritivo. Não existe um consenso sobre o tema, mas os linguistas, em sua maioria, preferem considerá-los como gêneros diferentes.

Por mais que as características sejam semelhantes, eles se diferem na sua finalidade. O texto prescritivo é coercitivo, enquanto o injuntivo é instrutivo.

Características

(Fonte: Giphy)

O texto injuntivo tem como principais características:

  • trabalhar com a instrução, uma vez que o objetivo é conduzir o leitor a realizar uma ação, guiando os passos e explicando como proceder;
  • linguagem simples, facilitando o entendimento, e objetiva, sem a necessidade de atribuir características desnecessárias ou realizar descrições;
  • permitir que o leitor aja de outras formas, mas que mesmo assim permaneça dentro do que foi estabelecido. Os textos injuntivos levam a decisões, possibilitando apenas algumas escolhas guiadas;
  • estrutura simples, normalmente em tópicos, com frases curtas. O foco é aumentar a legibilidade e permitir que a sequência de ações seja compreendida rapidamente.

Por conta do seu objetivo, a maior característica desse texto é a fácil compreensão por diferentes leitores.

Dicas para um bom texto injuntivo

(Fonte: Giphy)

Um dos maiores erros cometidos quando se trata de um texto injuntivo é acreditar que, por ser um gênero voltado para a instrução, ele seja simples de ser criado. Na verdade, é preciso atenção e conhecimento para produzir um bom texto.

  • Tome cuidado com os tempos e modos verbais, especialmente quando utilizar o imperativo, pois há confusão entre a utilização de segunda e da terceira pessoas do discurso. Muitas vezes, um mesmo texto apresenta uma mistura de pessoas, perdendo as características e dificultando a leitura. Um bom exemplo desse uso errado é “faça uma mistura homogênea. Utiliza a batedeira para isso”: faça está na terceira pessoa e utiliza, na segunda.
  • Siga uma ordem lógica, priorizando as ações que devem ser realizadas antes e as informações mais relevantes. Pense em uma receita de bolo: de nada adianta você explicar o cozimento antes de listar os ingredientes, então dê as instruções de forma correta, categorizando e distribuindo cada um dos passos. Exemplo: escrever “finalize a montagem do ventilador testando seu funcionamento. Para começar a montagem, encaixe a base no motor” não segue uma sequência; prefira “Para iniciar, encaixe a base no motor. Após finalizada a montagem, teste o equipamento”.
  • Não esqueça que avisos e certos dados precisam ser inseridos em um espaço diferenciado, com destaque. Pense nas propagandas de remédios, em que os avisos sempre são colocados em destaque com a palavra atenção.
  • O texto prescritivo não trabalha com coerção, por isso saiba que seu leitor poderá realizar os passos de forma diferente. Se em algum momento uma alteração puder provocar algum dano à integridade física ou à saúde do leitor, ressalte a informação. Normalmente, esse é um recurso muito utilizado em manuais.

Escrever um texto injuntivo é simples, mas requer cuidado. Não esqueça que textos prescritivos, como leis, atuam de forma diferenciada e têm características próprias.

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