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Nascida em uma família pobre de Belo Horizonte, Maria da Conceição Evaristo de Brito migrou para o Rio de Janeiro ainda jovem e se formou em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Tornou-se professora, rompendo com a tradição das mulheres de sua família, que serviam como domésticas em casas de famílias mais abastadas — algumas delas do meio literário, como a de Otto Lara Resende.

Mas não veio daí seu incentivo à literatura. Em debates e entrevistas, que hoje lotam a agenda da escritora, Conceição relata que as relações entre seus familiares e os donos da casa eram de absoluta subalternidade. Muito trabalho e pouco dinheiro eram a tônica do convívio.

Sua trajetória, segundo a própria escritora, foi construída a partir do desejo e da inconformação com a desigualdade social. Sua família era grande — é a segunda de dez filhos —, e ela conciliava os estudos com a lavagem e a entrega de roupas. É a primeira da sua família a receber um diploma universitário — hoje, Conceição tem doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.

Escrevivência

Conceição Evaristo é uma das poucas mulheres negras a se consolidarem no mercado editorial. (Fonte: UFMG/Reprodução)

Sua escrita conta muito de sua história. Conceição cunhou um termo para sua literatura, comprometida com a condição de mulher negra em uma sociedade marcada pelo preconceito: escrevivência.

O termo aponta para uma dupla dimensão: é a vida que se escreve na vivência de cada pessoa, assim como cada um escreve o mundo que enfrenta. É nesse sentido que ler romances, ensaios e poesias de Conceição Evaristo é visitar a vida real de uma mulher que lutou para conquistar o que, em razão do preconceito, custou muito.

Por isso, a literatura significou para Conceição Evaristo uma libertação. Uma possibilidade de registrar as injustiças, as dores e os silêncios que de outra forma permaneceriam ocultos, como ocorre às pessoas que não são ouvidas.

Ler sua obra é ler a história das mulheres que vivem na retaguarda, apartadas da esfera pública. Essas personagens, que se misturam entre o real e a ficção, aparecem em sua obra recorrentemente.

Principais obras

No conto que dá nome ao livro Olhos d'água, a autora recorda o sofrimento de sua mãe. (Fonte: Editora Pallas/Reprodução)

Entre suas obras mais importantes estão os romances Ponciá Vicêncio e Becos da Memória e o livro de poesia Poemas da Recordação e Outros Movimentos. Além disso, a escritora publicou três coletâneas de contos: Insubmissas Lágrimas de Mulheres, Olhos d`água e Histórias de Leves Enganos e Parecenças.

A escrevivência de Conceição Evaristo é um convite à reflexão social e, claro, à leitura. Conheça melhor a escritora e mergulhe na obra de uma das principais artistas brasileiras do início deste século.

Fonte: Scielo, O Globo e Itaú Cultural.