Aprender sobre os estilos literários e as escolas desenvolvidas ao longo dos anos no Brasil é entrar em contato com grandes autores de diferentes épocas, ler obras clássicas e entender a evolução da literatura como um todo. Além disso, esses são temas frequentes no vestibular, e você precisa dominar suas principais características e os autores mais renomados.

A seguir, veremos as principais escolas literárias brasileiras e daremos o primeiro passo para você ficar craque no assunto.

Por que isso é importante?

Estudar as diferentes escolas da literatura é importante por vários motivos. Compreender a evolução literária significa acompanhar a transformação da arte e da produção cultural no Brasil, já que os artistas convergiam para as mesmas características de acordo com a época.

(Fonte: Giphy)

É também a oportunidade de ler obras clássicas e estudar História do Brasil a partir de uma abordagem diferente, com os reflexos de movimentos que aconteceram em todas as partes do mundo.

Quinhentismo

A primeira tendência literária no Brasil veio da necessidade, com cartas de portugueses que relatam sobre o local recém-descoberto ou de religiosos jesuítas que vieram catequizar a população indígena. Elas são bastante patrióticas, no caso dos relatos, e carregadas de lição de moral quando são sermões. A escola começou em 1500 e durou praticamente 1 século.

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Pero Vaz de Caminha e Padre José de Anchieta são alguns dos maiores nomes da época.

Barroco

Essa escola tem textos bastante reflexivos. O estilo é de escrita rebuscada e com jogos de palavras até mesmo exagerados, mas bastante filosóficos — lembre-se das igrejas barrocas cheias de ornamentos para decorar as características nesse caso. Ao mesmo tempo, sátiras também eram comuns. Os nomes mais relevantes do Barroco incluem Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira.

Arcadismo

Praticamente uma resposta ao Barroco, o Arcadismo é uma retomada de características clássicas da arte, incluindo o uso de expressões em latim. A natureza volta a ser valorizada e as obras têm um tom mais espontâneo; além disso, a carga ideológica é alta, baseada nos valores que estavam na moda na época — principalmente do Iluminismo e da Revolução Francesa. No Brasil, Cláudio Manoel da Costa é uma grande referência.

Romantismo

Essa é uma das escolas mais complexas da literatura brasileira, com vários representantes e três grandes fases. No geral, todas apresentam forte apelo emocional, com certa fuga da realidade e foco em paixões e outros sentimentos. A forma da obra passa a ser deixada de lado.

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A primeira grande fase é a indianista ou nacionalista, com a valorização do Brasil e de seus habitantes originais. Gonçalves Dias é um dos grandes poetas da época.

Já a segunda geração é a romântica ou "mal do século", que leva ao extremo o idealismo e os sentimentos — bons ou ruins. O poeta Álvares de Azevedo é o brasileiro símbolo do período.

Por fim, a terceira geração, a "condoreira", tem como foco os temas sociais da época. Castro Alves e José de Alencar são alguns dos nomes da fase.

Realismo e naturalismo

Criadas lado a lado, essas escolas geraram grandes obras que aparecem até hoje em provas do vestibular. O Realismo, como o nome indica, aborda temas da época de forma crua, com análise psicológica, angústias e grande desenvolvimento de personagens. Machado de Assis é o representante máximo do período.

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O Naturalismo é uma espécie de evolução, com algumas características a mais: o foco do escritor e do observador está em classes marginalizadas do País, com uma análise ainda mais profunda e até mesmo comparações entre pessoas e animais. "O cortiço", de Aluísio Azevedo, representa bem esse movimento.

Parnasianismo

Desenvolvido praticamente em paralelo ao Realismo e Naturalismo, o Parnasianismo é uma resposta direta ao Romantismo, apostando no completo oposto do estilo. A ideia principal é um vocabulário mais elaborado e uma atenção total para a forma, com rimas e métricas bem definidas, formatos como os sonetos e muita subjetividade. O sinônimo de poeta parnasiano no país é Olavo Bilac.

Simbolismo

Essa escola também é uma negação dos movimentos anteriores e, como o nome já entrega, é bastante subjetiva e trata de temas sensoriais e do inconsciente. Algumas características românticas são retomadas, figuras de linguagem se tornam frequentes e sonhos são um tema comum. Cruz e Sousa é o escritor mais lembrado dessa fase e inaugurou o movimento no País em 1893.

Pré-Modernismo e Modernismo

Se escolas anteriores valorizavam o Brasil, mas aqui a crítica social aparece com frequência. Esse momento de transição tem ainda uma linguagem mais informal e muito regionalismo. Lima Barreto, Monteiro Lobato e Euclides da Cunha ajudaram a iniciar essa escola, que terminou em 1922 com a realização da Semana da Arte Moderna e, portanto, o início do Modernismo.

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Extremamente variado, o Modernismo atravessou várias fases e foi refletido na pintura e no design. A estética é livre e as experimentações são incentivadas — nada da preocupação estética do Parnasianismo ou do conteúdo lírico do Romantismo, por exemplo. O movimento continuou até a década de 1980 e inclui grandes nomes da literatura nacional, como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Graciliano Ramos.