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Uma garota de seis anos, inteligente e contestadora, que adora os Beatles, a democracia, os direitos das crianças e odeia sopa. Essa é a personagem Mafalda criada pelo cartunista argentino Quino para uma campanha publicitária de eletrodomésticos em 1964.

A campanha acabou não sendo veiculada, mas a menina ganhou as tiras de jornais e começou a fazer fama. Mesmo após a sucessivos golpes militares na Argentina e a censura, o espírito dissidente e rebelde da garotinha venceu as fronteiras do país, entrando em Portugal e na Espanha — que também viviam regimes autoritários.

Criada para campanha publicitária não veiculada na Argentina, personagem ganhou fama mundial. (Fonte: Shutterstock)

A personagem chegou ao Brasil em 1973, quando os militares estavam no poder. No mesmo ano, o cartunista resolveu descontinuar a produção das tiras. Para o argentino, Mafalda tinha virado um “carimbo” e não era isso que ele desejava para a personagem.

Apesar do fim de novas tiras, a obra ganhou o mundo e foi traduzida para mais de 30 idiomas, entre eles: inglês, italiano, francês, hebraico, alemão, guarani e coreano. Em 1977, a pedido da UNICEF, as tirinhas da personagem ilustraram a Edição Internacional da Campanha Mundial de Declaração dos Direitos da Criança.

A história de Quino

(Fonte: Tenor)
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Filho de imigrantes espanhóis, Joaquim Salvador Lavado, Quino, nasceu em Mendoza, na Argentina, em 1932 e ficou órfão de pai e mãe. O artista ganhou esse apelido para se diferenciar de seu tio Joaquim Tejón, pintor e designer gráfico, que o ajudou a descobrir o talento para as artes.

O desenho foi a forma encontrada para que o cartunista começasse a se expressar ainda criança. Aos 13 anos, logo após a escola primária, foi matriculado na Escola de Belas Artes de Mendoza. Em seguida, entrou na Faculdade de Belas Artes. No entanto, não concluiu o curso para se dedicar aos quadrinhos e ao humor gráfico em 1949.

Após diversas tentativas frustradas, conseguiu vender seu primeiro desenho para um jornal argentino em 1954. A partir de então, publicou seus cartuns, desenhos e histórias em quadrinhos em jornais e revistas tanto da América quanto da Europa. Em 1963, um ano antes de criar Mafalda, lançou seu primeiro livro humorístico, intitulado “Mundo Quino”.

Reconhecimento internacional

(Fonte: Tenor)
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Em 1976, o cartunista exilou-se em Milão, na Itália, para escapar da ditadura militar argentina. Com isso, seu trabalho começou a conquistar o mundo. Em 1982, o argentino foi eleito o “Desenhista do Ano” por cartunistas do mundo inteiro. Nesse mesmo ano, foram publicados no Brasil os três primeiros livros da Mafalda.

Reconhecido como um dos maiores cartunistas do mundo, Quino recebeu vários prêmios internacionais. Entre eles, o Prêmio Cartunista do Ano no Salão Internacional de Montreal (1982), dois Prêmios Konex Platinum de Artes Visuais-Humor Gráfico (1982 e 1992), o Prêmio Quevedos Latino-Americano de Humor Gráfico (2000), Prêmio Romics Oro (Roma, 2011) e o Prêmio das Astúrias de Comunicação e Humanidades, na Espanha, em 2014.

Outras obras

(Fonte: Tenor)
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Quino criou outras obras antes e depois de Mafalda. A partir de 1973, dedicou-se a um humor mais direcionado para o público adulto, que foi reunido em uma coleção. Seus livros mais recentes incluem, entre outros, ¡Qué presente impresentable! (em português, "Que presente impresenteável!"), de 2005, La aventura de comer ("A Aventura de Comer"), de 2007, e ¿Quién anda ahí? ("Quem está aí?"), de 2013.

O último livro é um reflexo dos medos atuais, passando por suas últimas publicações na mídia, além de algumas publicações inéditas e alguns de seus poucos desenhos em cores. Durante os últimos anos antes de sua aposentadoria, o cartunista publicou principalmente no jornal diário Clarín. Quino faleceu na Argentina, no dia 30 de setembro de 2020, aos 88 anos de idade.

Fonte: Ebiografia, Terra Nova, BBC, Quino.